Sobre o câmbio

O câmbio exige algum planejamento.

O único gasto que é possível fazer em Reais é a compra da passagem aérea; comprando no Brasil, pode-se pagar em Reais, com parcelamento no cartão.

Levar muito dinheiro vivo é pouco recomendável, já que você pode ser roubado; nós tentamos comprar alguns euros para as pequenas despesas iniciais (taxi, lanche, etc), mas em Recife as poucas casas de câmbio que vendiam a moeda tinham apenas notas de € 50, e por isso acabamos não levando nada.

O Travel Money é a versão moderna dos cheques de viagem. Você vai ao banco (no nosso caso, o Banco do Brasil), determina quantos Euros você quer comprar, paga o valor respectivo em Reais, e recebe um cartão similar a um cartão de crédito, com o valor em Euros pré-carregado.

Algumas vantagens do Travel Money: você sabe quanto paga pelos Euros (diferentemente do cartão de crédito, no qual o câmbio cobrado pelos seus gastos em Euros é o que estiver sendo praticado no dia da liquidação da fatura); você recebe dois cartões, um principal e um reserva, e caso perca o principal pode cancelá-lo por telefone e automaticamente passa a utilizar o reserva; ele funciona como cartão de débito, e por isso você não paga IOF, como ocorre com cartões de crédito (atualmente, o IOF é de 6%).

Note que o Travel Money não trará seu nome estampado, e por isso não será aceito em algumas lojas. Entretanto, praticamente todos os caixas automáticos da Europa permitem saques em dinheiro (há uma taxa de € 2,50 por saque); note que, à exceção de alguns caixas de Londres, a maioria dos caixas não fornece o saldo após cada saque (a maneira mais fácil de acompanhar o saldo é acessar sua conta no Banco do Brasil, caso encontre uma conexão à internet segura).

O restante dos gastos foi no cartão de crédito. Pagamos praticamente toda a hospedagem e os transportes antecipadamente; isso tem duas vantagens: você já sai do Brasil com os vouchers de hospedagem e as passagens impressas; e você já tem boa idéia do quanto vai custar, em Euros, a viagem.

Após pagar passagem aérea, hospedagem e transportes, os gastos extras decorrerão principalmente de restaurantes, passeios e compras. Siga o blog para ver algumas dicas.

Compra da Passagem Aerea

Como moramos no Recife, não existem muitas opções de voo direto para a Europa.

Pelo que pesquisei, dentre as empresas brasileiras, apenas a TAM oferece voos para as principais cidades europeias, todos (ou quase todos) saindo do Rio ou Sao Paulo. Para quem mora no Recife, isso exigiria um deslocamento de quase quatro horas para o Sudeste, mais uma espera para a conexão, e além disso o voo para a Europa demoraria três horas a mais; ou seja, a viagem ficaria mais cansativa (quase doze horas mais longa) e mais cara.

Uma opção que pesquisei foi a empresa alemã Condor; a empresa não é muito conhecida no Brasil, mas parece ter boa reputação internacional e é, afinal, uma empresa alemã.

A Condor oferece voos diretos a partir do Recife e Salvador; há conexões para diversas outras cidades do Brasil. Como o voo é direto, o preço é mais baixo que os da TAM; pesquisando hoje no site da condor (os preços variam de acordo com a data da viagem), encontro passagens de ida e volta (uma semana de estada) por  € 528, com as taxas de embarque já incluídas.

Não escolhemos a Condor porque: a empresa cobra taxas extras, afora as mencionadas no preço da passagem (por exemplo, cobra um adicional por cada reserva, e cobra 5% a mais caso a compra seja no Cartão de Crédito); a empresa não parcela os pagamentos (deve ser à vista); a empresa fatura em euros, o que implicava, à época da viagem, um adicional de 6% no IOF. Mas o principal motivo que nos levou a não voar pela Condor foi o fato de que ela voa diretamente apenas para Frankfurt; com isso, a nossa viagem deveria começar e terminar por Frankfurt, o que nos tiraria um pouco de flexibilidade.

Pesquisando um pouco mais, visitamos o escritório da TAP – Transportes Aéreos Portugueses no Recife  (observação: os escritórios da TAP no Brasil inteiro vendem passagens, mas elas custam 6% – ou algo assim – a mais do que os mesmos bilhetes adquiridos pela internet; não há vantagem – a não ser  o atendimento personalizado – em comprar os bilhetes nos escritórios).

A TAP mantém voos diários entre Lisboa e as principais cidades do Nordeste (Recife, Natal, Fortaleza e Salvador). Ademais, ela disponibiliza conexões entre Lisboa e todas as grandes cidades européias – e o que é pouco sabido (nós descobrimos por acaso): os preços variam tanto que os voos com conexões podem sair mais barato do que o voo simples Brasil – Lisboa.

Após dias de pesquisa, deparamo-nos com passagens, para uma dada combinação de datas de ida e volta, para o percurso Recife – LisboaLondres (conexão de três horas em Lisboa) na ida, volta Paris – Lisboa (conexão de dois dias) e Lisboa – Recife pelo total de R$ 1629,77 (ou aproximadamente US$ 905) por adulto e R$ 1278,14 (ou US$ 710) por criança.

Note que todas as taxas estão inclusas (não pagamos nem um centavo a mais), o pagamento é em Reais (está sujeito à flutuação do dólar – que pode subir ou descer -, mas não está sujeito aos 6% de IOF), e pôde ser parcelado em cinco vezes sem juros. E o voo pela TAP vale pontos pelo Fidelidade da TAM. E ademais, você pode conhecer Londres ou Paris com o bonus de ficar alguns dias em Lisboa.

Dica para encontrar passagens baratas pela TAP: 1º passo: na homepage da empresa, clique no link Pesquise Avançada; na página seguinte, selecione “As Minhas Datas São Flexíveis”, bem como a rota e datas desejadas. Você obterá um quadro com os preços de todas as datas de Ida e Volta ao redor das datas que você selecionou.

2º passo: quando encontrar as datas de ida e volta mais vantajosas, volte para a homepage e marque a opção Multi-City; o site permitirá que você acrescente diversas cidades à rota (tanto na ida quanto na volta), e ao final mostrará o preço. Note que você pode repetir o 1º passo para estimar as passagens mais baratas para cada trecho da viagem (eu pesquisei primeiro Recife – Lisboa, e a seguir Lisboa – Londres para encontrar o preço mais barato para a ida).

Você vai precisar de alguma paciência para repetir as pesquisas por alguns dias (os preços poderão mudar a cada vez que você refizer a pesquisa). Mas com alguma sorte você poderá encontrar uma barganha.

Última observação: se você comprar as passagens com cartão de crédito Visa Platinum, ganhará gratuitamente um seguro-saúde Schengen, que dá cobertura na Europa. Li em algum lugar que o seguro é obrigatório para todos os turistas que entram na Europa, mas eu não fui cobrado em nenhum momento (nem, felizmente, tivemos necessidade de acionar o seguro).

Nossa viagem à Europa

Em março de 2012, fizemos uma viagem familiar à Europa.

Fomos em cinco: pai, mae e três filhos (dois adolescentes, um de 9 anos).

O percurso incluiu saída do Recife, passagem por Lisboa (apenas para conexão do voo), e a seguir Londres, Amsterdam, Essen (cidade média da Alemanha), Bruxelas (apenas para conexão do trem), Paris, Lisboa e volta para Recife. Saída no dia 19 de março, retorno no dia 4 de abril de 2012.

A viagem foi totalmente independente: as passagens de avião foram compradas no site da companhia aérea; a hospedagem foi reservada, com exceção de Amsterdam (onde procuramos hotel a pé), pela internet; as passagens de trem e navio foram compradas pela internet; os passeios foram contratados nos próprios países (com exceção de um pacote em Londres, que sai mais barato se comprado pela internet).

Dominar o idioma foi essencial, tanto para as compras antecipadas como para comunicação nos países; eu falo inglês e descobri que ainda falo francês. Ademais, eu já havia morado seis meses em Londres (há mais de dez anos), e já conhecia, com exceção de Essen, todas as cidades visitadas.

Deixo esse relato para lembranças futuras, e também para que ajude outras pessoas que pensem em viajar de uma forma similar.